Poluição recorrente em arroio de Santa Maria levanta suspeita de despejo clandestino

Poluição recorrente em arroio de Santa Maria levanta suspeita de despejo clandestino

Foto: Vinicius Becker

Moradores que vivem perto do Arroio Cadena acordaram na terça-feira (31) com um forte mau cheiro vindo do córrego. Quando o dia clareou, o arroio estava com a coloração preta, de tanta poluição. Dois moradores ligaram para a coluna, e uma equipe do Diário esteve em vários pontos do Cadena, na Vila Oliveira, Caturrita e Carolina. Em vários locais, a concentração do esgoto era tão grande que até as pedras ficaram manchadas de preto. A equipe foi até a Rua Sete de Setembro, mas lá a coloração da água era transparente, indicando que a fonte da poluição ocorreu em algum ponto entre a Rua Sete e a Avenida Borges de Medeiros.

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O Diário enviou as fotos e informações à prefeitura de Santa Maria, ao Ministério Público Estadual, ao Batalhão Ambiental da Brigada Militar e à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). O MP informou que abriu um procedimento de investigação, enquanto o Batalhão Ambiental disse que deslocou policiais para tentar localizar a fonte da poluição. A prefeitura disse que estava averiguando a situação.

 
Um dos moradores diz que não é a primeira vez que isso ocorre. Segundo ele, a cada 20 ou 30 dias, o Cadena amanhece totalmente poluído, com fedor intenso de esgoto e cor muito escura, o que viria ocorrendo há anos no arroio, que tem aves e peixes, como cascudos.


Não sei quem está fazendo isso, mas é alguém que está largando esgoto de madrugada para não ser flagrado. De um dia para o outro, quando a gente acorda, de manhã cedo, a água está totalmente poluída.

 
O comandante do Batalhão Ambiental da BM, tenente coronel Maurício Batista Nunes Homem, afirmou que ontem as equipes voltaram ao local com fiscais da Fepam, que coletaram amostras de água do Cadena para análise. Segundo ele, há indícios de que se trata de esgoto ou poluição de alguma empresa, mas ainda não pode divulgar mais detalhes para não prejudicar as investigações.

– As nossas guarnições foram ao local e constataram realmente que a cor está muito escura e o cheiro muito forte. A partir dessa constatação, estamos levantando a origem de quem está largando no arroio. Estamos verificando as residências, alguma indústria ou sugão que está poluindo nosso arroio. Confesso que nunca tinha visto essa situação no arroio, que percorre 13 bairros em 15 km de extensão. Nós, então, acionamos a Fepam, e eles já estão no local para fazer o levantamento da água, e vão ver qual produto que está dando essa coloração, se é esgoto ou algum produto químico – disse.

 
Segundo ele, nas vistorias, não foram localizados peixes ou animais mortos por conta da poluição, mas os danos ambientais ainda estão sendo apurados. Se houver comprovação de se tratar de um produto poluente e de quem foi o autor, o caso se enquadrará como crime contra o meio ambiente.

 
– É um crime ambiental. Está na lei 9.605, no artigo 54, que causar qualquer tipo de poluição ou dano à saúde humana ou animal, e destruição da nossa flora, tem pena de reclusão de 1 a 4 anos e multa – disse o comandante, que lamenta o fato de que o Cadena tem sido, nas últimas décadas, um depósito de lixo e esgoto de moradores, poluindo a água e afetando a flora e a fauna.

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